1886
Em 1886, numa época e num tempo em que fortes dificuldades económicas varriam Portugal, Guilhermino de Barros, pensou fundar um asilo no qual as crianças órfãs de ambos os sexos e idade entre os 6 e os 12 anos, seriam recolhidas, alimentados, vestidos e educados.

Fundador do asilo, comendador, poeta e advogado transmontano, foi governador civil entre 1865 e 1870, estava ligado à Beira Baixa pela politica e pelo coração, pois casou com Júlia Vaz Preto Geraldes, natural de Lousa.

A criação da instituição, tinha como meta não só a finalidade de assistência, mas também a educação e formação profissional, porque Guilhermino de Barros entendia que era preciso dar às crianças e jovens as condições necessárias para o desenvolvimento de vida afetiva e emocional, objetivo que continua presente nos dias de hoje.

No entanto, era preciso encontrar um lugar que acolhesse as crianças. A escolha caiu no Conservatório de Acolhimento de Santa Maria Madalena, na rua dos Cavaleiros, atual Museu Cargaleiro, então habitado por cinco “recolhidas mulheres que por seu desamparo estavam em risco de ruina, conservando-se em liberdade e, ao mesmo tempo, entregavam-se ao culto e louvor de Deus”. As recolhidas cediam para a instalação do asilo todo o andar térreo, o 1.º andar e parte do cerco que fosse necessário ao recreio das crianças.

Aí permaneceu o asilo até à década de 70, sendo presidente o Dr. Ulisses Vaz Pardal. As condições do edifício degradaram-se, não oferecendo condições mínimas de conforto e dignidade às crianças.

No entanto, ao longo da década de 60, duas alternativas se perfilaram:

  • Recuperar o antigo edifício;
  • Adquirir um terreno e construir um novo de raiz.

A falta de verbas e a indecisão, arrastou-se durante anos.

Seria uma mulher, a Secretária da Saúde e Assistência Maria Teresa Lobo que, na década de 70, após uma visita ao velho asilo acelerou a decisão de comprar um novo terreno para a construção de um novo edifício. O terreno adquirido com a área de 15.170m2 situado na encosta do castelo, rua dos Chões – pertença de D. Taciana Vaz Preto Abrunhosa – apresentava as condições necessárias para a construção de um edifício de qualidade para garantir capaz de continuar o sonho de Guilhermino de Barros.

Em 1972, iniciou-se a construção de um novo espaço. Mas só em 1975 se alterou o nome da instituição de “Asilo de Infância Desvalida” para “Casa de infância e Juventude – CIJE”. Esta alteração foi publicada na. III Série – n.º 99 de 2 de Abril de 1976, alteração que já vinha a ser proposta desde o centenário do asilo.

Atualmente, a CIJE – Casa de Acolhimento Residencial, é uma IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social sem fins lucrativos, financiada pela Segurança Social, tem como objectivo a educação, a formação cívica e profissional das jovens. Procura promover uma nova intervenção integrada onde cooperação e a corresponsabilização de toda a comunidade é fundamental. Com inovação e qualidade, pretendemos ser um exemplo de boas práticas.

Acolhe crianças e jovens do sexo feminino dos 3 aos 18 anos podendo permanecer até aos 21 anos, caso as jovens peçam o prolongamento da medida de acolhimento para completar o seu projeto de vida, proporcionando-lhes um desenvolvimento harmonioso e integral, biopsicossocial e estruturas de vida tão aproximadas quanto possível às suas famílias, bem como a promoção de competências pessoais, sociais e laborais com vista à sua autonomização e integração na vida activa.

 

(NOVO DECRETO)

 

Residem, neste momento, 38 crianças/ jovens dos 6 aos 21 anos em regime de internato, frequentando estabelecimento de ensino na comunidade: ensino básico, secundário e cursos de formação profissional.

A CIJE – Casa de Acolhimento Residencial – funciona em regime aberto, organizada em unidades – grupos- que favorecem. uma relação afetiva do tipo familiar, em vida diária personalizada, a convivialidade e a integração na comunidade.

Estão de acordo com a faixa etária das crianças e jovens onde se localizam os quartos, sanitários, salas de convívio.

Há zonas comuns: cozinha, refeitório, lavandaria, oficinas de costura e de cozinha, salas de estudo diferenciadas de acordo com as idades, salas de apoio pedagógico (onde as voluntárias fazem o apoio ao estudo), sala multifuncional para atividades culturais e recreativas. Para complementar a formação escolar e prepará-las para a autonomia todas as crianças e jovens participam em tarefas da vida diária. Possui também espaços exteriores: campo de jogos, parque infantil, jardins e um logradouro para a realização de atividades ao ar livre e zonas de pomar e oliveiras.